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João de Barros

 João de Barros - Nasceu em 1496; filho natural (??) de Lopo de Barros, corregedor de Entre Tejo e Ondiana e alemdodiana. Órfão na infância, começou a servir no palácio de D. Manuel, ainda na idade do jogo do pião onde aprendeu as Humanidades, enquanto terá sido guarda-roupa do príncipe D. João, mais tarde rei D. João III.

Por volta de 1520, casou com D. Maria de Almeida, senhora nobre do termo de Pombal, por via de quem recebeu, de herança de seu sogro, D. Diogo de Almeida, todas as terras da Ribeira de Alitem, de que detinha o dominio útil.

Em Maio de 1525 D. João III concede-lhe o cargo de tesoureiro da Casa da Índia, Mina e Ceuta, que exerceu desde 1 de Maio de 1525 até 31 de Dezembro de 1528.

De 1529 até finais de 1533, esteve João de Barros na sua quinta de São Lourenço da Ribeira de Alitem. Foi aqui que João de Barros residiu durante anos e compôs ou aperfeiçoou algumas das suas obras mais apreciadas.

Em 23 de Dezembro de 1533 João de Barros voltou a Lisboa, onde el-rei o proveu no cargo de feitor da casa da India e Mina; lugar importante, pois superintendia em todo o comércio do Ultramar desembarcado em Lisboa. Cargo que exerceu até 12 de Agosto de 1567.

Recebeu prémios pela sua actividade literária e de funcionário, designadamente em Março de 1535, por carta régia, D. João III instituiu João de Barros donatário de uma capitania no Brasil e em 18 de Junho das minas de ouro e prata da respectiva capitania.
Por 1535 e 1556, enviou expedições destinadas a povoar a dita capitania, as quais se revelaram desastrosas não conseguindo fazer povoação alguma na capitania.
Depois de 1567, beneficiando de uma tença de 400 000 réis anuais, benesse de D. João III, viveu na Quinta de São Lourenço da Ribeira de Alitem, onde faleceu a 21 de Outubro de 1570, «entrevado, sem falar, de ar de apoplexia ...».
Os seus restos mortais foram sepultados com grande pompa, na ermida com a invocação de Santo António da Quinta dos Claros e, em 1610,seriam trasladados para a Igreja Matriz de Alcobaça, por seu afilhado D. Jorge de Ataide, bispo de Viseu, então Abade Comendatário do Mosteiro de Alcobaça, onde tencionava erigir-lhe um mausoléu. Não o conseguiu, porém.
João de Barros ficaria melhor à beira da sua quinta bem-amada, das árvores que mandara plantar e vira crescer, resguardado pela capelinha que mandara erguer.


A par da sua carreira de funcionário, manteve João de Barros uma assídua actividade de homem de letras.
A personalidade de João de Barros define-se por duas coordenadas que condicionam também toda a sua obra literária: a integridade de carácter e o acrisolado amor da Pátria.
Deu-lhe celebridade a sua obra histórica, elaborada com intuito mais formativo que informativo, atestando o seu pendor pedagógico mais de uma vez afirmado no conjunto da sua obra, de que são conhecidos os seguintes títulos:

Prymeira parte da cronica do emperador Clarimundo donde os Reys de Portugal descendem tirada da linguagem húngara em a nossa portuguesa ....; (redigida em oito meses pelo jovem João de Barros, que a dedicou a D. João III); O romance inspira-se numa genealogia imaginária do conde D. Henrique.

Ropicapnefma; A obra principal da juventude de João de Barros, é o diálogo a que deu o título irregularmente helenizado Ropicapnefma, com a pretensão de significar «Mercadoria Espiritual». Este livro escrito em 1531, quando o seu autor, vivia entregue aos livros, na sua quinta de São Lourenço da Ribeira de Alitem, trata - se de um diálogo, cujos interlocutores são alegorias correspondentes a noções medievais: por um lado, o Tempo, a Vontade e o Entendimento, que pretendem passar na alfândega da vida eterna as mercadorias mundanas (afinal constituídas pelos sete pecados mortais); por outro lado, a Razão, que vigia a ponte da Morte.
No seu atrevimento ideológico e no seu desembaraço de linguagem, a Ropicapnefma é a única obra de prosa doutrinária da primeira metade do séc. XVI. Tais audácias são possíveis em 1531, antes de introduzida a inquisição; em 1581 será posta no Índex e só voltará a ser publicada no séc. XIX.

O vasto labor literário de João de Barros inclui uma série de livros didácticos, em parte destinados ao ensino de povos ultramarinos: >A Cartinha com os preceitos e mandamentos da Santa Madre Igreja; A Cartilha de aprender a lerDiálogo da Viciosa Vergonha e, a Grammatica da lingua portuguesa, através da qual João de Barros foi quem primeiro ordenou as regras da disciplina da nossa língua; o Diálogo em louvor da nóssa linguagem, através do qual João de Barros demonstra as suas qualidades de pedagogo e se insurge contra os incompetentes em exercício das funções de magistério; O Diálogo de Joam de Barros com dous filhos seus sobre preceptos moraes em modo de jogo; Arte de grammática latina per sistema figurado, inédita; foi dedicado por João de Barros á Infanta D. Maria.

João de Barros não era somente um grande historiador e moralista, era também um pedagogo. Quem não se lembra de ter ouvido na sua infância o A arvore, B besta, C cesta? E pouca gente saberá que essa melopeia, consubstanciada em figuras apropriadas era a Cartilha de João de Barros, a cartilha maternal do século XVI.

Inclui, ainda, obras doutrinárias e polémicas, como a Ropicapnefma; o Diálogo evangélico sobre os artigos da fé contra o Talmud dos Judeos, composto por entre 1540 e 1542; o Tratado das Causas ou Problemas Morais; e a Esfera da Instrutora das Cousas, talvez um tratado de cosmologia, que, como o anterior, só se conhece por alusão do autor.

Inclui, por último, obras históricas e geográficas, como os Panegírico a mui alta e esclarecida princesa Infanta Dona Maria nossa senhora;e Panegírico de D. João III, postumamente publicados; e alguns volumes de uma vasta enciclopédia geografica-histórica-económica a obra mais emblemática do historiador.
Compunha-se esta enciclopédia, de três partes: a primeira, referente á «Milícia» (ou conquista, articulada em quatro partes: Europa, África, Ásia e St.ª Cruz ou Brasil); a segunda, referente á «Navegação» (ou Geografia); a terceira tinha por tema o «Comércio». A parte da «Milícia» seria exposta em Décadas, conjuntos de dez livros. Deste ambicioso plano apenas ficou uma parte da «Milícia»: algumas Décadas da: Ásia de Joam de Barros dos factos que os Portugueses fizeram no descobrimento e conquista dos mares e terras do Oriente.
João de Barros inaugurou um estilo novo na historiografia portuguesa. A Primeira e a Segunda Década da Ásia (...); saíram em 1552 e 1553, respectivamente, a Terceira Década da Ásia (...), apareceu no ano de 1563 e a 4ª década só veio a ser editada postumamente, em 1614, quando Diogo do Couto, retomando a ideia de Barros, já publicara uma outra 4ª década.

Outras obras de João de Barros, provavelmente perdidas: Geographia, de que se encontram referências nas Décadas; o Comercio; Exclamaçam contra os vicios; e As abusões do tempo, poema.



Quinta da Ribeira de Litém
A quinta da Ribeira de Alitém mais conhecida como quinta de S. Lourenço é sem sombra de dúvida uma quinta histórica, cuja origem remonta ao período de ocupação romana.
Foi nessa quinta que João de Barros residiu durante anos e compôs ou aperfeiçoou algumas das suas obras mais apreciadas, sendo por isso uma quinta tão emblemática.
Em 1508 a quinta pertencia aos sogros de João de Barros, Diogo de Almeida e Catarina Coelho e tinha as seguintes confrontações: ao norte com casal e terras de Joam Afonso de Canssaria, ao levante com ribeiro da Çimeiria, ao ponente com ribeiro da Lavaqueira e ao sul com o rio do Alitem asi como entrarã as foozes dos ditos ribeiros no dito rio.
Entretanto a quinta de João de Barros foi ampliada por 1529, tendo João de Barros aumentado a sua quinta, comprando talhos de terra a ela pegados, fazendo casas e por 1540 uma ermida da invocação de S. António, na outra margem do rio.

A zona de habitação da quinta abrangia sete casas de sobrado desbaratadas, com respectivas lojas, sendo seis forradas e uma de telha vã e uma casa térrea a servir de celeiro. Junto das casas havia uma capela do mártir S. Lourenço e uma ermida com a imagem de Santa Catarina. Junto à mata de carvalhos existiam os currais de gado e dos bois, para o poente outras casa e curral. Tinha a quinta terras de cento e vinte alqueires de semeadura; a vinha levaria vinte homens de cava; tinha pereiras e macieiras, dois limoeiros e uma cidreira. Erguiam-se nas margens do rio soberbos choupos e aqui e além oliveiras e um grande maciço de carvalhos.

A quinta conservou-se até 1914 na posse da família dos viscondes de Balsemão, foi nessa altura vendida pela Sr.ª viscondessa a António Rodrigues Jaulino que, por sua vez, vendeu metade a diversos.

Actualmente, lamentavelmente, já nada resta da parte urbana da Quinta da Ribeira de Alitem.
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