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| Página Oficial da Freguesia de Santiago de Litém |
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| Dinossáurio de Andrés |
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“ALLOSAURUS: UM DINOSSÁURIO, DOIS CONTINENTES?”
No Museu Nacional de História Natural, em Lisboa, estará patente ao público, ainda mais uns meses, uma exposição sobre a primeira descoberta, em Portugal, de restos fossilizados do dinossáurio Allosaurus fragilis.
VEJA O VIDEO
Encontrado no ano de 1988 em Andrés, lugar da Freguesia de Santiago de Litém, pelo Sr. José Amorim e família quando procediam a trabalhos numa sua propriedade, foi depois escavado e estudado por uma equipa daquele Museu. Parte dos elementos de esqueleto descobertos continuam a ser preparados e analisados mas o trabalho já realizado (que é, por natureza, sempre demorado) permite que os elementos já estudados sejam, agora, objecto de uma exposição de dimensão nacional.
Nesta exposição do Museu Nacional de História Natural, além de se poder observar essa parte significativa dos elementos de Allosaurus encontrados, revela-se o método de trabalho em Paleontologia de Dinossáurios. Desde a escavação e recolha, passando pela preparação, estudo e identificação, até às conclusões e novas questões que resultam desta descoberta. Se podemos dizer que esta presença de Allosaurus em Portugal contribuiu para a confirmação de que há 150 milhões de anos, no Jurássico superior, haveria possibilidade de passagem de faunas terrestres entre a Península Ibérica e a América do Norte por, então, estarem bem mais próximas, muitos aspectos ficam, ainda, por conhecer. Conhecê-los constitui o objectivo de um novo projecto de investigação.
Além de explicar como se trabalha em investigação científica sobre estes fósseis, de apresentar conclusões e de abordar as questões que esta descoberta levanta e para as quais ainda não há resposta, a exposição mostra réplicas de esqueletos inteiros de Allosaurus e de outros Dinossáurios seus contemporâneos ou com ele relacionados do ponto de vista evolutivo.
A Junta de Freguesia de Santiago de Litém colabora nesta exposição com uma costela de Allosaurus, que integra a Exposição Permanente da Casa da Cultura de Santiago de Litém, que na exposição de Lisboa contribui para termos a percepção da real dimensão do fóssil.
Na exposição os habitantes de Santiago de Litém encontrarão também referências a Andrés e à Exposição Permanente da Autarquia.
E em reconhecimento por todo o apoio dado às equipas que procederam às escavações de 1988 e de 2005, por elementos da população e pela Junta de Freguesia, o Museu Nacional de História Natural convida todos os habitantes de Santiago de Litém a visitarem gratuitamente a exposição de Lisboa, mediante a apresentação do bilhete de identidade.
Liliana Póvoas
Museu Nacional de História Natural ALLOSAURUS DE ANDRÉS. LOCALIZAÇÃO DA JAZIDA: A jazida de Andrés situa-se na povoação do mesmo nome da Freguesia de Santiago de Litém.
DESCOBERTA E ESCAVAÇÃO:A jazida foi descoberta em 1988, pelo Sr José Amorim, em terrenos da sua propriedade, quando procedia aos trabalhos de escavação dos caboucos para a construção de um anexo para albergar alfaias agrícolas. O achado foi prontamente comunicado ao Museu Nacional de Historia Natural (MNHN-UL), por sugestão de A. Corte-Real, do Serviço Regional de Arqueologia da Zona Centro. O MNHN-UL procedeu assim à escavação de emergência neste local em Setembro de 1988 (primeira fase de escavações), tendo sido só possível reunir as condições adequadas para proceder à continuação dos trabalhos na segunda metade do mês de Junho de 2005 (15-27 Junho) (segunda fase de escavações). A terceira fase de escavação, ocupou o fim de Agosto e início do mês de Setembro de 2005 (25 Agosto-08 Setembro).
FINANCIAMENTO: Os trabalhos têm sido maioritariamente suportados pela Câmara Municipal de Pombal (CMP) e pela Junta de Freguesia de Santiago de Litém (JFSL).
REFERÊNCIA DO PROJECTO DE INVESTIGAÇÃO: Todos estes trabalhos têm obedecido a um processo efectuado no âmbito do projecto de investigação “POCTI / 1999 / PAL / 36550” designado por “Dinosaur Osteological and Ichnological studies of the Mesozoic of Portugal (Dinos)” financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) através do Programa Operacional do Quadro Comunitário de Apoio – III (POCTI 2001 – 2006) e sob a responsabilidade maior do Prof. Dr. A. M. Galopim de Carvalho.
RESPONSABILIDADE CIENTÍFICA: O processo tem sido conduzido sob a orientação dos Drs. Pedro Dantas (MNHN-UL, Laboratório de História Natural da Batalha) e Francisco Ortega (Museo del Jurásico de Astúrias, Laboratório de História Natural da Batalha).
ACOMPANHAMENTO CIENTÍFICO: Prof. Dr. Fernando Barriga (MNHN-UL, DCGFC-UL) (acompanhamento científico de carácter geral), Prof. Dr. A. M. Galopim de Carvalho (MNHN-UL) (acompanhamento científico de carácter geral), Prof. Dr. Nuno Lamas Pimentel (DCGFC-UL) (paleoambientes), Prof. Dr. José Luis Sanz (UP-UAM) (paleobiologia de vertebrados).
INSTITUIÇÕES CIENTÍFICAS QUE TÊM COLABORADO NO ESTUDO DE ANDRÉS: Museu Nacional de História Natural da Universidade de Lisboa (MNHN-UL), Museo del Jurásico de Asturias (MUJA), Laboratório de História Natural da Batalha (LHNB), Unidad de Paleontología de la Universidad Autónoma de Madrid (UP-UAM), Laboratório de História Natural da Associação Leonel Trindade (Torres Vedras) (LHNALT), Departamento e Centro de Geologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (DCGFC-UL).
OUTRAS INSTITUIÇÕES (NÃO CIENTÍFICAS) QUE TÊM APOIADO OS TRABALHOS: Câmara Municipal de Pombal, Junta de Freguesia de Santiago de Litém e Câmara Municipal da Batalha.
ELEMENTOS INTEGRANTES DA ESCAVAÇÃO: Dr. Bruno Ribeiro, Dra. Cristina Moniz, Dra. Elisabete Malafaia, Dr. Fernando Escaso, Dra. Graça Ramalheiro, Ivan Gromicho, Jesús Santamaría, Dr. José Miguel Gasulla, Dr. Mauro García Oliva, Dr. Francisco Ortega e Dr. Pedro Dantas.
GEOLOGIA E ESTRATIGRAFIA: A jazida de Andrés é constituida essencialmente por paleocanais de arenitos, de argilas, de margas e de paleossolos. Litostratigraficamente, estes depósitos, segundo alguns autores, pertencem à Formação das “Camadas de Alcobaça”, para a qual com base nos estudos de amonites e de microfósseis se atribui uma idade Kimeridgiano-Tithoniano inferior, ou seja, incluida dentro do Jurássico superior.
DATAÇÃO: A datação para os depósitos onde se encontra a jazida de Andrés estará situada algures entre os 148 e os 155 Ma (= milhões de anos).
GRUPOS FÓSSEIS ENCONTRADOS NA JAZIDA DE ANDRÉS: Múltiplos restos de plantas, raros icnofósseis de invertebrados, abundantes moluscos (gastrópodes e bivalves) dulçaquícolas (= de água doce), pequenos peixes holósteos (Semionotiformes como o género Lepidotes) representados também por frequentes restos, abundantes ossos de pequenos anfibios, duas espécies distintas de crocodilos de caracteristicas modernas (Theriosuchus e Goniopholis), répteis voadores (pterossáurios), dinossáurios muito diversificados, incluindo:
-terópodes, (entre eles Allosaurus fragilis e pelo menos duas espécies mais deste grupo);
-duas ou três espécies de saurópodes (pelo menos dos grupos Camarasauriformes e Titanosauriformes);
-dois ornitópodes (dos grupos Dryosauridae e Camptosauridae);
-outro dinossáurio ornithisquiano indeterminado.
E ainda répteis ryncocéfalos (talvez semelhantes à actual tuatara da Nova Zelândia) representados por inúmeros ossos.
Além disso, estão também presentes numerosos coprólitos (=excrementos fossilizados) de vertebrados (atribuíveis maioritariamente a crocodilianos) (Nota: ver também Anexo-I).
PEÇAS ATRIBUÍVEIS AO TERÓPODE ALLOSAURUS PRESENTES NA JAZIDA DE ANDRÉS: Até ao momento, todos os restos de terópodes de grandes dimensões encontrados nesta jazida de Andrés apontam para (pelo menos) dois indivíduos atribuíveis ao género Allosaurus, ficando como trabalho posterior a confirmação, ou não, destes exemplares à espécie (durante muito tempo tida como sendo exclusivamente americana) A. fragilis, descrita para a ciência desde a segunda metade do séc. XIX (ano de 1877) pelo paleontólogo americano Othniel Charles Marsh . Internacionalmente, as primeiras peças do género Allosaurus bem como da espécie A. fragilis são assinaladas no Estado do Colorado (E.U.A.), provavelmente em 1870, pelo colector profissional Benjamin Mudge que era assistente de Marsh.
Com base nos ossos recolhidos e tendo como referência alguns esqueletos de Allosaurus fragilis da Morrison Formation dos E.U.A. (esta espécie está aí muito bem representada em zonas continentais interiores e perto da linha de costa do antigo Mar de Sundance, envolvendo áreas do Oeste americano pertencentes aos actuais Estados de: Colorado, Montana, New Mexico, Oklahoma, South
Dakota, Utah e Wyoming), podemos deduzir os seguintes valores (aproximados) para um dos indivíduos da jazida de Andrés:
Comprimento: 7 a 8 metros.
Altura (até ao topo da cintura pélvica): 2 metros.
Peso: 1 tonelada.
Face a estes números, bem como aos valores dimensionais máximos calculados para a espécie A. fragilis de entre todos os exemplares encontrados na Morrison Formation dos E.U.A. (13 m de comprimento, 4 m de altura até ao topo da cintura pélvica e 2 toneladas de peso), deduzimos com alguma reserva poder tratar-se de um indivíduo sub-adulto o exemplar mais completo de Allosaurus da Jazida de Andrés.
PEÇAS ESCAVADAS EM SETEMBRO DE 1988:
- Esqueleto cranial – Dentes do maxilar e/ou do dentário, um osso frontal (direito), um osso quadrado (direito), entre outros.
- Esqueleto axial – diversos gastrália (= costilhas ventrais), cerca de três costelas toráxicas, um chevron, várias vértebras incluindo duas dorsais, pelo menos duas sacrais e sete caudais.
- Esqueleto apendicular – ossos da cintura pélvica (parte do ilium esquerdo, o isquium esquerdo e os dois púbis) e ossos dos membros posteriores (os dois fémures, as tíbias, as fíbulas, ossos do tarso esquerdo (calcâneo e astrágalo) e três metatarsos e três falanges do pé esquerdo).
PEÇAS ESCAVADAS EM JUNHO DE 2005:
- Esqueleto cranial – Dentes do maxilar e/ou do dentário e vários ossos craniais e mandibulares, incluindo: um osso quadrado (direito), um osso lacrimal (direito), um surangular (direito), um pré-articular (direito) e um angular (direito), entre outros.
- Esqueleto axial – diversos gastrália (= costilhas ventrais), cerca de quatro costelas toráxicas, várias vértebras incluindo a 1ª cervical, a 3ª dorsal e oito caudais posteriores.
- Esqueleto apendicular – um osso da cintura escapular (coracóide direito), um osso da cintura pélvica (ilium esquerdo) e três falanges dos membros posteriores.
PEÇAS ESCAVADAS EM AGOSTO - SETEMBRO DE 2005:
- Esqueleto cranial – Dentes do prémaxilar, do maxilar e do dentário, e vários ossos craniais e mandibulares, incluindo: um osso lacrimal (esquerdo), um pré-frontal (esquerdo), um provável vómer e um dentário (direito), entre outros.
- Esqueleto axial – Duas costelas cervicais, duas costelas toráxicas, duas vértebras caudais posteriores e um chevron.
- Esqueleto apendicular – Uma falange do dedo – III do membro anterior direito.
ESTADO DE CONSERVAÇÃO DO MATERIAL: Os ossos apresentam-se geralmente muito bem conservados e completos; alguns encontram-se em conexão anatómica, isto é, mantendo a sequência natural entre si. Enquanto outros (a maioria) estão isolados e dispersos pela jazida, evocando um afastamento entre si de diversas partes do esqueleto, provocado pela corrente de água onde as carcaças se encontravam depositadas. Este afastamento pode variar de apenas alguns centímetros a poucos metros. Casos excepcionais de conservação levaram à preservação de pequenos vertebrados inteiros em lentículas de argila (peixes holósteos, por exemplo) ou das delicadas conchas de bivales de água doce, mantendo o brilho nacarado original. A existência de um crânio inteiro e de várias mandíbulas de alguns indivíduos de répteis ryncocéfalos merecem também aqui destaque.
PREPARAÇÃO DO MATERIAL: As peças provenientes desta escavação serão sucessivamente preparadas pelo Laboratório de História Natural da Batalha (Câmara Municipal da Batalha e MNHN-UL) e por um laboratório a criar muito brevemente em Santiago de Litém.
PERTENÇA DO MATERIAL:Museu Nacional de História Natural-Universidade de Lisboa, Câmara Municipal de Pombal e Junta de Freguesia de Santiago de Litém, no âmbito de um protocolo a firmar entre as distintas partes.
ENQUADRAMENTO PALEOGEOGRÁFICO GERAL: Na altura, no final do Jurássico, as terras emersas da América-do-Norte e da Peninsula Ibérica estavam muitíssimo mais próximas entre si do que se encontram hoje, dado que o Oceano Atlântico de então, na sua parte Norte, estava apenas no início da sua abertura. Aproveitando esta situação e algumas oportunidades de passagem,
determinados animais, entre eles Allosaurus, terão conseguido transitar de um lado para o outro do Proto Atlântico-Norte, ampliando, assim, a sua área de distribuição.
PALEOAMBIENTE LOCAL E TAFONOMIA: As carcaças de Allosaurus e dos outros fósseis encontrados no jazida de Andrés, tal como os sedimentos onde se inserem, apontam para um ambiente dulçaquícola (= de água doce), pertencente mais propriamente a um regime fluvial pouco profundo (rio distal), com situações sucessivas de imersão e emersão. São visíveis exemplos de depósitos típicos de bancos de areia, de planície de inundação e de paleossolos associados a este ambiente fluvial distal nesta jazida. São frequentes aqui as evidências de paleo-canais atulhados de sedimentos que cortaram outros paleo-canais. Em termos gerais, o clima era quente e seco, aumentando logicamente o teor da humidade com a proximidade das zonas alagadiças. Os restos de animais e de plantas aqui presentes terão sofrido, na sua maioria, fraco transporte pelo curso de água que por ali passava (um rio ou um ribeiro), sobretudo depois de terem desaparecido, no tocante aos animais, as partes moles que compunham os seus esqueletos. O enterramento dos cadáveres pelos sedimentos fluviais ter-se-à operado de uma forma muito rápida, talvez em situação de absoluta imersão. A distribuição dos fósseis no leito da antiga linha de água, acompanhando a topografia do fundo desta, parece apontar preferencialmente para grandes concentrações de peças em zonas deprimidas. Aqui, existem, talvez por uma questão de selecção gravítica, por vezes um elevado número de fósseis de pequenas dimensões como é o caso de determinadas acumulações de dentes isolados de distintos animais. A orientação sistemática e muito coincidente dos ossos longos e estreitos (sobretudo de Allosaurus) nesta jazida de Andrés, permitiram determinar com grande precisão a direcção do antigo curso de água, no sector que por aqui passava há 148-155 milhões de anos; essa direcção era sensivelmente E-W. O sentido em que fluía esta linha de água (admitindo que a rêde hidrográfica a que pertencia era exorreica, isto é, convergia para o mar) seria muito provavelmente de Este para Oeste.
PUBLICAÇÕES ANTERIORES ENVOLVENDO A JAZIDA DE ANDRÉS E A PRESENÇA DE ALLOSAURUS EM PORTUGAL:
- 1999 – revista científica “Journal of Geological Society, London”. Vol. 156. Londres.
- 1999 – revista científica “Al-madan”, 2ª Série, nº8 (Outubro 1999). Almada.
- 2000 – livro científico “Dinosaurios – Los señores del pasado”. Ediciones Martinez Roca, S. A. Barcelona.
- 2003 – revista de divulgação científica “National Geographic (Portugal)”. Novembro 2003. Lisboa.
Nestas publicações, como autores, estão envolvidos muitos investigadores de distintas instituições, sobretudo de (por ordem alfabética):
- Departamento e Centro de Geologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Portugal);
- Dinosaur National Monument (Utah, E.U.A.);
- Laboratório de História Natural da Associação Leonel Trindade (Portugal);
- Laboratório de História Natural da Batalha (Portugal);
- Museu Nacional de História Natural da Universidade de Lisboa (Portugal);
- Unidad de Paleontologia de la Universidad Autónoma de Madrid (Espanha).
DIVULGAÇÃO PELA IMPRENSA DOS RESULTADOS DAS ESCAVAÇÕES DE 2005: As 2ª e 3ª fases de escavações da Jazida de Andrés (Ano de 2005), face ao numeroso e excelente espólio delas extraído, foram amplamente divulgadas por múltiplos órgãos de informação (jornais, revistas, rádios e televisões) de vários países como: Portugal, Espanha, Inglaterra, Alemanha, México, Bolívia, Equador, etc. Tudo isto fez com que os resultados trazidos a público merecessem elogios de diversas personalidades de distintos quadrantes, desde a ciência à política.
CONTRIBUIÇÃO DESTE TRABALHO PARA A CIÊNCIA:
– Campanha de Setembro de 1988:
A – Descoberta de importante conjunto de restos osteológicos (= ossos) do esqueleto cranial, axial e apendicular de um dinossáurio carnívoro (= grande grupo dos terópodes) que mais tarde (ano de 1999) seria atribuído à espécie americana Allosaurus fragilis. Terá sido, aliás, a primeira vez que foi colhido material relacionado com segurança com o género Allosaurus fora do continente americano.
B – Contribuição com esta descoberta para o estabelecimento das relações de índole paleobiogeográfica entre a América-do-Norte e a Península Ibérica há cerca de 148-155 Ma.
– Campanha de Junho de 2005:
A- Melhor enquadramento da geologia e da paleobiologia desta jazida, que não foi possível obter durante as escavações de emergência realizadas no ano de 1988.
B- Fornecimento de mais dados para a paleontologia do Jurássico superior ibérico.
C- Recolha de maior número de outros ossos de Allosaurus que possibilitem ter uma informação mais completa do esqueleto dos representantes ibéricos deste género de terópodes.
D- Confirmação, ou não, com estes novos dados da validade da presença da espécie Allosaurus fragilis no Jurássico superior ibérico e europeu.
E- Contribuição, com os dados aquí e agora obtidos, para o estabelecimento das relações de índole paleobiogeográfica entre América–do-Norte e da Península Ibérica há cerca de 148-155 Ma.
F- Importante contributo para o património paleontológico do cranio de dinossáurio mais completo conhecido até ao momento no registo português e de um dos poucos conjuntos craniais de um mesmo indivíduo de dinossáurio terópode assinalado na Europa.
- Novos resultados da última escavação (Agosto – Setembro de 2005) face ás duas fases anteriores (Setembro de 1988 e Junho de 2005): Dos fósseis retirados agora da jazida de Andrés (ver ponto 13 destes apontamentos e também Anexo-I) sobressaem:
A - Elevado número de peças, sobretudo de pequena dimensão.
B - A presença inédita aqui de novos grupos taxonómicos, não encontrados antes nesta jazida, como anfíbios, répteis voadores (pterossáurios) e de alguns dinossáurios (ornitópodes camptosaurídeos, por exemplo), etc.
C - Mais restos craniais e mandibulares de Allosaurus (além de ossos do esqueleto axial e apendicular), em particular um osso dentário (com mais de 40 cm de comprimento) provido de alguns dentes.
D - Parte de um membro posterior desarticulado de um pequeno dinossáurio ornitópode (Dryosaurídeo).
E -Esqueleto de um réptil ryncocéfalo (parente das actuais tuataras da Nova Zelândia), munido de crânio e da mandíbula inteiros. Este facto é único na Península Ibérica e muito raro a nível Europeu.
F - Conhecendo a presença de uma forma de ryncocéfalo associado ao dinossáurio Allosaurus na Morrison Formation dos EUA, o estudo do ryncocéfalo da jazida de Andrés permitirá testar num grupo externo aos dinossáurios as possíveis relações faunísticas de parentesco entre a Península Ibérica e a América–do-Norte durante o Jurássico superior.
G - Atendendo à quantidade de fósseis e principalmente à sua diversidade, a listagem de organismos presentes nesta jazida, até ao momento, faz dela já (a seguir à Mina de Guimarota–Leiria) a mais rica referência de vertebrados não marinhos do Jurássico superior português e uma das mais importantes do Mesozóico de Portugal. De mencionar, por exemplo, que só em relação à fauna de dinossáurios são registadas aqui para já, pelo menos, oito formas distintas atribuíveis a três grandes grupos: terópodes, saurópodes e ornitisquianos.
DEDICATÓRIA:Os resultados da terceira fase de escavações da Jazida de Andrés foram dedicados pela equipa de investigadores que nela participaram à memória do autarca Jorge Francisco Nunes (Tesoureiro da Junta de Freguesia de Santiago de Litém) recém-falecido ao serviço da comunidade.
Dr. Pedro Dantas
Dr. Francisco Ortega
JAZIDA DE ANDRÉS (SANTIAGO DE LITÉM – POMBAL)
LISTA DE GRUPOS DE ORGANISMOS FÓSSEIS ATÉ AO MOMENTO REGISTADOS (*)
· PLANTAE
· (Plantae) indet. (abundantes restos incarbonizados)
· MOLLUSCA
· Bivalvia
· (? Unionoida) sp. (indivíduos abundantes)
· Gastropoda
· (Gastropoda) sp.
· PISCES (OSTEICHTHYES)
· Holostei
· Lepidotes sp.
· (Semionotiformes) indet. (abundantes restos)
· AMPHIBIA
· (Amphibia) indet. (abundantes restos)
· REPTILIA
· Crocodyliformes (Neosuchia)
· Theriosuchus sp.
· Goniopholis sp. (abundantes restos)
· (Crocodyliformes) indet.
· Pterosauria
· (Pterosauria) indet.
· Dinosauria
· Allosaurus fragilis (abundantes restos)
· (Theropoda) sp.-1 (morfotipo Troodontidae)
· (Theropoda) sp.-2 (morfotipo Dromaeosauridae)
· (Theropoda) indet.
· (Sauropoda) sp.-1 (morfotipo Camarasauriforme)
· (Sauropoda) sp.-2(morfotipo Titanosauriforme, abundantes restos)
· (Sauropoda) sp.-3 (?) (morfotipo ? Diplodociforme)
· (Sauropoda) indet.
· (Dryosauridae) sp.
· (Camptosauridae) sp.
· (Ornithopoda) sp.
· (Ornithischia) sp.-1
· (Dinosauria) indet.
· Rhynchocephalia
· (Opisthodontia) sp. (abundantes restos)
(*) Presença ainda de raros icnofósseis de invertebrados e de inúmeros coprólitos (= excrementos fossilizados) de répteis, atribuíveis maioritariamente a crocodilianos.
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